Maslow e a Teoria das Necessidades Humanas

Hierarquia das necessidades de Maslow

Tal teoria foi desenvolvida por Abraham H. Maslow.  Segundo ele, o homem é motivado por necessidades organizadas numa hierarquia de relativa prepotência [1].  Isto quer significar que uma necessidade de ordem superior surge somente quando a de ordem inferior foi relativamente satisfeita. McGregor resumiu de maneira excelente a teoria de Maslow, estruturada em cinco níveis, merecendo a transcrição:

“ Necessidades Fisiológicas

O homem é um animal dotado de necessidades; assim que uma de suas necessidades é satisfeita, surge outra em seu lugar.  Esse processo não tem fim: é contínuo, desde o nascimento até a morte.

As necessidades do homem estão organizadas numa série de níveis, ou numa hierarquia de valor.  No nível mais baixo, mas de grande importância quando não satisfeitas, estão as necessidades fisiológicas.  O homem só busca o pão quando não há pão.  A menos que as circunstâncias  sejam especiais, suas necessidades de amor, ‘status’ e reconhecimento são inoperantes quando seu estômago está vazio há um certo tempo.  Mas quando ele come regularmente e de maneira adequada, a fome cessa de ser motivação importante.  O mesmo ocorre em relação às outras necessidades fisiológicas do homem: de descanso, exercício, abrigo, proteção contra intempéries, etc.

A necessidade satisfeita não motiva comportamento.  Esse é um fato de profunda significação comumente ignorado pelo conceito tradicional de administração.  Consideremos a necessidade de ar.  O ar não causa efeitos importantes de motivação sobre nosso comportamento a não ser quando ficamos privados dele.

Necessidades de Segurança

Quando as necessidades fisiológicas estão razoavelmente satisfeitas, as necessidades localizadas no nível imediatamente superior começam a dominar o comportamento do homem; começam a motivá-lo.  Essas são as chamadas necessidades de segurança.  São necessidades de proteção contra o  perigo, a ameaça, a privação.  Algumas pessoas erroneamente se referem a elas como necessidade de proteção.  Entretanto, a menos que a pessoa esteja numa relação de dependência em que há uma privação arbitrária, ela não procura proteção.  Há necessidade de ter oportunidade mais justa possível.  Quando a pessoa confia nessa oportunidade, está mais do que disposta a correr riscos.  Mas quando se sente ameaçada ou dependente, sua necessidade é de garantia de proteção.

Não é preciso frisar que as necessidades de segurança podem ter grande importância na empresa, pois é claro que todo empregado industrial está em relação de dependência.  Ações administrativas arbitrárias, comportamentos que provoquem incerteza no empregado com respeito à sua permanência no emprego, ou que reflitam favoritismo ou discriminação, bem como política administrativa imprevisível, podem ser poderosos motivadores de necessidade de segurança nas relações de emprego em todos os níveis, do operário ao vice-presidente.

Necessidades sociais

Quando as necessidades fisiológicas do homem estão satisfeitas e ele não está mais temeroso a respeito do seu bem-estar físico, suas necessidades sociais tornam-se importante fator de motivação de seu comportamento; necessidades de participação, de associação, de aceitação por parte dos companheiros, de troca de amizade e afeto vêm a tona.

Na verdade, a administração sabe da existência dessas necessidades, mas, erroneamente, acha que elas representam certa ameaça à organização.  Muitos estudos demonstram que o grupo de trabalho bastante unido e dotado de grande coesão é muito mais eficiente para a realização dos objetivos da organização do que indivíduos isolados.

Entretanto, a administração, temendo a hostilidade grupal aos seus objetivos, muitas vezes procura, com afinco, controlar e dirigir os esforços humanos em sentidos incompatíveis com a sociabilidade e a tendência grupal dos seres humanos.  Quando as necessidades sociais do homem são assim contrariadas – e, talvez, também suas necessidades de segurança -, ele comporta-se de maneira a impedir que sejam atingidos os objetivos da organização.  Torna-se resistente, antagônico hostil.  Mas esse comportamento é conseqüência e não causa.

Necessidades do ego

Acima das necessidades sociais – aquelas que não motivam até que necessidades de nível mais baixo estejam razoavelmente satisfeitas – estão outras da maior importância para a administração e para o próprio homem.  São as necessidades do ego, as quais pertencem às duas classes:

1. Necessidades relacionadas com o amor-próprio: autoconfiança, realização, competência, conhecimento, independência.

2. Necessidades relacionadas com a própria reputação: “status”, reconhecimento, aprovação, respeito.

Diversamente do que ocorre com as de nível mais baixo, essas necessidades são raramente satisfeitas: o homem procura indefinidamente mais satisfação dessas necessidades, assim que se tornam importantes para ele.  Mas elas não surgem de maneira significativa até que as necessidades fisiológicas, sociais e de segurança estejam razoavelmente satisfeitas.

A organização industrial típica oferece poucas oportunidades de satisfação dessas necessidades egoístas para as pessoas colocadas nos níveis mais baixos da hierarquia.  Os métodos convencionais de organizar o trabalho, particularmente nas indústrias de produção em massa, dão pouca consideração a esses aspectos da motivação.  Se as práticas da administração científica fossem preparadas com o fito específico de oposição a essas necessidades, dificilmente poderiam atingir esse propósito melhor do que o fazem.

Necessidade de auto-realização

Finalmente – na hierarquia das necessidades humanas – há o que podemos chamar de necessidades de auto-realização.  Essas são as necessidades de cada um realizar o seu próprio potencial, de estar em  contínuo auto-desenvolvimento , de ser criador no sentido mais alto do termo.

Está claro que as condições da vida moderna dão apenas oportunidades limitadas para que essas necessidades, relativamente fracas, obtenham expressão.  A privação que a maioria das pessoas experimente com respeito a necessidades de nível inferior desvia suas energias para a luta pela satisfação daquelas necessidades.  Assim, as necessidades de auto-realização permanecem inativas.” [2]


[1] MASLOW, Abraham.  Motivation and Personality. New York: Harper & Row, 1970.

[2] McGregor, Douglas.  “O Lado Humano da empresa”.  In: balcão, yolanda Ferreira e Cordeiro, Laerte L.. O Comportamento Humano na Empresa.  Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, p. 48-52.

2 respostas para Maslow e a Teoria das Necessidades Humanas

  1. Karine Rocha disse:

    Muito interessante a abordagem desse assunto , até mesmo porque ele fala de todas as necessidades em geral. Estão de parabéns!!

  2. Vanita reis disse:

    Nós, humanos, precisamos de privações para nos motivarmos.Se não houvesse privações seriamos apenas uma bola de gordura.

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