F.A.Q – Lean Construction

10 março, 2010

Como recebo vários e-mails com dúvidas sobre a Lean Construction, resolvi compilar algumas questões em um FAQ (Frequent Asked Questions) sobre o tema.

A idéia é que esta relação cresça com o tempo, porém dependo de vocês para adicionar questões de interesse dos visitantes do site. Peço que utilizem os comentários para postar suas perguntas e prometo que atualizo este post sempre que uma nova pergunta for elaborada.

Após o texto vocês podem fazer o download de um PDF que basicamente contem todas as perguntas e respostas aqui colocadas.

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Aplicação da Lean Construction para Redução dos Custos de Produção da Casa 1.0

29 maio, 2009

USP

Autor da Tese:

LUIZ EDUARDO LOLLATO JUNQUEIRA – Engenheiro Civil, especialista em Engenharia de Produção/USP e Gestão de Projetos/ITA.

Resumo:

Durante muitos anos, a indústria da construção tem desenvolvido suas atividades com base em um modelo de gerenciamento da produção, com ênfase às atividades de conversão, as quais representam atividades de processamento ou modificação da forma ou substância de um material. Esse modelo negligencia as demais atividades envolvidas na realização de um serviço, tais como inspeção, transporte e espera. Esforços estão sendo realizados, nos últimos anos, no sentido da modernização do setor e introdução de um modelo de produção, que considera as atividades de conversão e fluxo, denominada filosofia de produção enxuta. Essas iniciativas são baseadas em pesquisas desenvolvidas pela comunidade acadêmica, programas institucionais envolvendo entidades setoriais e governamentais e iniciativas individuais, por parte de algumas empresas de construção. Esta dissertação propõe introduzir os princípios fundamentais da construção enxuta no planejamento de produção de habitações populares, especificamente no modelo de habitação desenvolvido pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), patenteada no Brasil como CASA 1.0®, com o intuito de reduzir o custo da mão de obra desta unidade habitacional, proporcionando assim maior acessibilidade a este produto pela população de baixa renda (Classes C, D, e E) que representa quase 80% das 15 milhões de unidades habitacionais deficitárias no Brasil. Para este trabalho foi
desenvolvido um estudo de custos abordando diversas realidades de implantação desta unidade habitacional, tanto em relação ao intervalo de tempo que uma unidade leva para ser feita (ciclo de produção) quanto para quantidades diferentes de implantação (repetição). Inicialmente foi analisado minuciosamente cada serviço da Casa 1.0® e discutiram-se as produtividades e proporções de profissionais e ajudantes necessárias para executá-las. Posteriormente fez-se junção de diversas atividades em pacotes de trabalho e também o desenho de processo para ciclos de 5, 7 e 10 dias em realidades de 1, 10 e 100 implantações buscando sempre reduzir a variabilidade nos processos de produção criando um fluxo contínuo de serviços. Com todos os processos de produção desenhados fez-se o cálculo dos custos totais de mão de obra para cada realidade de implantação e também uma comparação com os custos disponíveis em literatura e também adotados pela ABCP.

- Para ler a tese completa em português:

Se tiver duvidas como baixar o arquivo pelo 4shared, clique aqui


Tipos de Precedências em Cronogramas

8 setembro, 2008

Durante minhas experimentações em aplicar os conceitos lean na construção pesada, tenho percebido o quanto frágil são os cronogramas, e seus idealizadores, em relação as precedências.

Independente da ferramenta utilizada para geração deste cronograma, o software reconhece a precedência de atividades como algo binário, 1 ou 0, existe/não existe, sim ou não, e isso produz alguns efeitos colaterais desastrosos nos resultados a serem obtidos.

De fato quando elaboramos nossos cronogramas, ali esta implicito uma sequencia executiva e diversas premissas sobre recursos (equipamentos, mão de obra , projetos, dinheiro, etc). Para explicitar estas premissas e sequencia executiva, lançamos mão das precedências, sequenciando as atividades e montando nossa rede CPM. Procedemos desta maneira até de maneira micro, quando elaboramos algum desenho de processo para apoiar a execução enxuta de alguma atividade (explicarei em detalhes este documento em outro post)

Normalmente quando a atividade A, precede a atividade B, em uma relação FS (Finish to Start) , a atividade B começa, se e somente se a atividade A estiver finalizada.

Podemos afirmar que esta precedência existe por um dos motivos abaixo:

1 – A precedência indicava uma sequência lógica de execução (ex.: primeiro se executa os trabalhos no teto, para depois se colocar o piso e assim evita-se danos no piso)

2 – A precedência indicava uma sequência fisica de execução (ex.: se executa primeiro os pilares, vigas e laje do 1° andar para depois se executar os pilares, vigas e lajes 2° andar)

3 – A precedência indicava uma sequência de alocação de recursos (ex.: a equipe de armação, primeiro arma o bloco 1, e depois de terminado o trabalho, move-se ao bloco 2 e executa-se a armação do bloco 2)

Observando esta realidade, resolvi classificar as precedências do meu projeto em 3 tipos:

a – Precedências lógicas;

b – Precedências físicas;

c – Precedências de recursos.

As precedências fisicas são aquelas impossíveis (ou demasiadamente custosas) para serem “quebradas”, enquanto as precedências lógicas e de recursos são completamente possíveis de serem alteradas e implica em uma alteração no sequenciamente executivo (plano de ataque).

As ferramentas computacionais não entedem precedências desta maneira, e como já exploramos no início, trabalha com todas as precedências do projeto de maneira binária restringindo o inicio de atividades que deveriam ter cido iniciadas, pois muitas vezes as precedências do cronograma refletem um plano de ataque que já foi superado antes mesmo da atualização do cronograma.

Imaginar um projeto como sendo uma baseline a ser seguida, ou até mesmo criar complicados níveis de aprovação para a modificação de uma baseline, conforme sugere o PMBoK, é seguramente o primeiro passo para o fracasso,  pois o objetivo principal de um projeto não é seguir uma baseline determinada inicialmente e sim terminar o projeto no prazo, custo e escopo definido.  As diversas maneiras de fazê-lo cabe ser engenhada por quem esta no meio da piramide hierárquica (média gerência).

Hoje infelizmente não temos ferramentas computacionais que “pensam” o projeto como infinitas possibilidades de se chegar ao mesmo lugar, alterando de maneira pré-determinada a sequencia executiva ou a alocação de recursos, e sinceramente não vejo a possibilidade de termos uma ferramente com esta capacidade em pouco tempo, o que torna importante, e quase indispensável, a presença de profissionais seniors na condução e “correção do curso” dos projetos.

O que precedências tem haver com Lean ?

Depois de muito caminhar pela filosofia Lean, caso me pedissem hoje para definir a Lean Construction, eu daria aseguinte explicação: “Lean construction é a filosofia que nos leva a pensar a obra em uma sequencia ininterrupta de geração de valor pelas equipes de produção , e desta maneira facilitar a redução ou eliminação da perda de valor nas atividades”.

Ou seja, isto é nada mais e nada menos do que levar fortemente em consideração as precedências de recursos e maximizar a geração de valor através deste sequenciamento.

Filosofando Um Pouco

A meu ver, toda precedência é uma restrição para a execução de um projeto, e como restrição devemos primeiramente tentar elimina-la, antes de aceitarmos sua existência.

Em um projeto sem precedências, ou melhor com as precedências tendendo a zero, a duração total deste projeto também tenderia a zero e a quantidade de recursos tenderia ao infinito. Para o entendimento desta tendência, é necessário extrapolar a idéia de pacote de trabalho imaginando que dentro do proprio pacote de trabalho, ou atividade, existem precedências fisicas, de recurso e lógicas.

Devido ao alto custo e muitas vezes a impossibilidade da eliminação das precedências físicas, nos resta somente a possiblidade de estudar uma maneira de equilibrar a questão de sequenciamento lógico e disponibilidade para investir em recursos e acelerar a entrega do projeto, fazendo o “fast-track”, conforme é definido pelo PMBoK.

Pretendo continuar este assunto em outros posts e agredeço as observações nos comentários.

Eng. Luiz Junqueira – luizjunqueira@terra.com.br

Engenheiro civil formado pela UNESP, especialista em Engenharia de Produção pela USP e Gerenciamento de Projetos pelo ITA.


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