Lean Construction – Download Apresentações

27 junho, 2009

Lean Construction Logo

O que é Lean Construction ? Como faço para implementar Lean Construction ? Quais são os beneficios para minha empresa ao adotar a filosofia lean ?

Muitas perguntas hein companheiro…

O que tenho a dizer é o famoso slogan das organizações tabajara, pois seus problemas acabaram.

Abaixo segue dois links para download de apresentações onde é explicado em português e de maneira bem simples, o que é Lean Construction e como podemos fazer para implementá-la em nossa obra.

Clique nos icones para baixar os arquivos em PDF.

Eng. Antonio Sérgio Itri Conte – Lean Construction Institute Brasil

Evento: FEICON 2009


Eng. Mauricio Sales e Eng. Antonio Sérgio Itri Conte

Evento: ENIC 2008


Aplicação da Lean Construction para Redução dos Custos de Produção da Casa 1.0

29 maio, 2009

USP

Autor da Tese:

LUIZ EDUARDO LOLLATO JUNQUEIRA – Engenheiro Civil, especialista em Engenharia de Produção/USP e Gestão de Projetos/ITA.

Resumo:

Durante muitos anos, a indústria da construção tem desenvolvido suas atividades com base em um modelo de gerenciamento da produção, com ênfase às atividades de conversão, as quais representam atividades de processamento ou modificação da forma ou substância de um material. Esse modelo negligencia as demais atividades envolvidas na realização de um serviço, tais como inspeção, transporte e espera. Esforços estão sendo realizados, nos últimos anos, no sentido da modernização do setor e introdução de um modelo de produção, que considera as atividades de conversão e fluxo, denominada filosofia de produção enxuta. Essas iniciativas são baseadas em pesquisas desenvolvidas pela comunidade acadêmica, programas institucionais envolvendo entidades setoriais e governamentais e iniciativas individuais, por parte de algumas empresas de construção. Esta dissertação propõe introduzir os princípios fundamentais da construção enxuta no planejamento de produção de habitações populares, especificamente no modelo de habitação desenvolvido pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), patenteada no Brasil como CASA 1.0®, com o intuito de reduzir o custo da mão de obra desta unidade habitacional, proporcionando assim maior acessibilidade a este produto pela população de baixa renda (Classes C, D, e E) que representa quase 80% das 15 milhões de unidades habitacionais deficitárias no Brasil. Para este trabalho foi
desenvolvido um estudo de custos abordando diversas realidades de implantação desta unidade habitacional, tanto em relação ao intervalo de tempo que uma unidade leva para ser feita (ciclo de produção) quanto para quantidades diferentes de implantação (repetição). Inicialmente foi analisado minuciosamente cada serviço da Casa 1.0® e discutiram-se as produtividades e proporções de profissionais e ajudantes necessárias para executá-las. Posteriormente fez-se junção de diversas atividades em pacotes de trabalho e também o desenho de processo para ciclos de 5, 7 e 10 dias em realidades de 1, 10 e 100 implantações buscando sempre reduzir a variabilidade nos processos de produção criando um fluxo contínuo de serviços. Com todos os processos de produção desenhados fez-se o cálculo dos custos totais de mão de obra para cada realidade de implantação e também uma comparação com os custos disponíveis em literatura e também adotados pela ABCP.

- Para ler a tese completa em português:

Se tiver duvidas como baixar o arquivo pelo 4shared, clique aqui


Por que poucas empresas praticam Lean Construction ?

26 maio, 2009

por: Msc Bruno Soares de Carvalhohttp://engenhariacivilpcp.blogspot.com

Creio que a melhor resposta para esta pergunta é porque Lean Construction “dá trabalho“!!!

As construtoras estão habituadas a realizar suas tarefas através de sistemas construtivos tradicionais que são de fácil aceitação no mercado o que facilita a vida do construtor. Porém vale lembrar que a grande maioria dos canteiros de obra do Brasil ainda estão abarrotados de desperdício por todos os lados jogados nas caçambas, nas horas perdidas por tarefas desnecessárias, no planejamento mal formulado e tudo isso é responsabilidade do engenheiro da obra.

A lean construction nasce de uma proposta que tenta eliminar o desperdicío na cadeia da construção e maximizar a produtividade consequentemente aumentando o lucro e o poder competitivo da construtora para poder gerar maior valor para seu cliente.

Obviamente esta atividade demanda muito trabalho e um longo prazo de adaptação (entre 4 e 5 anos) por parte de todos os envolvidos com a empresa. Este prazo assusta os possíveis usuários, mas como estamos falando de uma mudança radical na forma de produzir obras não é possível aplicar todas as ferramentas gerenciais em um curto prazo, pois o processo de assimilação é normalmente lento. Por isso deve ser inserido na construtora pouco a pouco a filosofia lean.

Em relação a lucratividade ainda não é possível aferir pela academia quanto “a mais” a construtora que pratica lean construction lucra em relação a construtora tradicional. Mas o que eu posso garantir é que os clientes daquelas empresas que praticam lean são mais satisfeitos do que aqueles que não o praticam, chegando algumas empresas a 92% de satisfação do cliente. enquanto a construtora tradicional alcança médias próximas a 80%.

Partindo da máxima de que manter os clientes é sempre mais barato do que adquirir novos clientes, apenas estes números já fornecem argumentos suficientes para iniciar neste processo da lean construction. Pois o cliente satisfeito é sinal de novos contratos.

Um abraço a todos

Msc. Bruno Soares de Carvalho

Msc Bruno Soares de Carvalhohttp://engenhariacivilpcp.blogspot.com

Engenheiro Civil – Mestre em Construção Civil com enfâse em Gerenciamento, planejamento e controle da produção.

email: bruno@aiza.com.br

Link para dissertação de mestrado: Clique Aqui


Lean construction: princípios básicos e exemplos

19 janeiro, 2009

por:  Carlos Torres FormosoPINIWEB

Desde os anos 80 se observa no País uma tendência de aplicação de ferramentas da Gestão da Qualidade Total (Total Quality Management – TQM). Muitas empresas de construção voltaram-se para o desenvolvimento de sistemas de gestão da qualidade tanto para melhorar processos produtivos como também para obtenção da ISO 9000.

Apesar de ter trazido benefícios, o TQM atende apenas de forma parcial às necessidades das empresas. Os conceitos, princípios e ferramentas desse método não contemplam, com a devida profundidade, a eficiência do sistema de produção.

Por isso, nos anos 90, um novo referencial teórico foi construído para a gestão de processos na construção civil com o objetivo de adaptar alguns conceitos e princípios gerais da área de Gestão da Produção às peculiaridades do setor. Esse conceito é denominado de Lean Construction, por se basear no paradigma da Lean Production (Produção Enxuta), que se contrapõe ao paradigma da produção em massa (Mass Production), cujas raízes estão no Taylorismo e Fordismo.

As idéias, na realidade, surgiram no Japão nos anos 50, a partir de duas filosofias básicas, o próprio TQM e também o Just in Time (JIT). A aplicação de maior sucesso dessa combinação ocorreu no Sistema de Produção da Toyota, no Japão (Shingo, 1986). Nascido na indústria automotiva, apenas recentemente se iniciou um movimento para estender esse conceito a outros setores da atividade econômica.

Na construção civil, esse esforço foi marcado pela publicação do trabalho Application of the new production philosophy in the construction industry por Lauri Koskela (1992), do Technical Research Center (VTT) da Finlândia, a partir do qual foi criado o IGLC (International Group for Lean Construction), engajado na adaptação e disseminação do novo paradigma no setor da construção civil em diversos países. Recentemente foi realizado em Gramado-RS a 10a Conferência Anual do IGLC (ver site www.cpgec.ufrgs.br/norie/iglc10). Neste artigo são apresentados alguns conceitos básicos de gestão da produção para entender a produção enxuta. Para facilitar a compreensão, são apresentados alguns exemplos de aplicação na construção civil.

Base conceitual
A diferença básica entre a filosofia gerencial tradicional e a Lean Production é principalmente conceitual. O modelo conceitual dominante na construção civil define a produção como um conjunto de atividades de conversão, que transformam os insumos (materiais, informação) em produtos intermediários (por exemplo, alvenaria, estrutura, revestimentos) ou final (edificação), conforme ilustra a figura 1.

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Tipos de Precedências em Cronogramas

8 setembro, 2008

Durante minhas experimentações em aplicar os conceitos lean na construção pesada, tenho percebido o quanto frágil são os cronogramas, e seus idealizadores, em relação as precedências.

Independente da ferramenta utilizada para geração deste cronograma, o software reconhece a precedência de atividades como algo binário, 1 ou 0, existe/não existe, sim ou não, e isso produz alguns efeitos colaterais desastrosos nos resultados a serem obtidos.

De fato quando elaboramos nossos cronogramas, ali esta implicito uma sequencia executiva e diversas premissas sobre recursos (equipamentos, mão de obra , projetos, dinheiro, etc). Para explicitar estas premissas e sequencia executiva, lançamos mão das precedências, sequenciando as atividades e montando nossa rede CPM. Procedemos desta maneira até de maneira micro, quando elaboramos algum desenho de processo para apoiar a execução enxuta de alguma atividade (explicarei em detalhes este documento em outro post)

Normalmente quando a atividade A, precede a atividade B, em uma relação FS (Finish to Start) , a atividade B começa, se e somente se a atividade A estiver finalizada.

Podemos afirmar que esta precedência existe por um dos motivos abaixo:

1 – A precedência indicava uma sequência lógica de execução (ex.: primeiro se executa os trabalhos no teto, para depois se colocar o piso e assim evita-se danos no piso)

2 – A precedência indicava uma sequência fisica de execução (ex.: se executa primeiro os pilares, vigas e laje do 1° andar para depois se executar os pilares, vigas e lajes 2° andar)

3 – A precedência indicava uma sequência de alocação de recursos (ex.: a equipe de armação, primeiro arma o bloco 1, e depois de terminado o trabalho, move-se ao bloco 2 e executa-se a armação do bloco 2)

Observando esta realidade, resolvi classificar as precedências do meu projeto em 3 tipos:

a – Precedências lógicas;

b – Precedências físicas;

c – Precedências de recursos.

As precedências fisicas são aquelas impossíveis (ou demasiadamente custosas) para serem “quebradas”, enquanto as precedências lógicas e de recursos são completamente possíveis de serem alteradas e implica em uma alteração no sequenciamente executivo (plano de ataque).

As ferramentas computacionais não entedem precedências desta maneira, e como já exploramos no início, trabalha com todas as precedências do projeto de maneira binária restringindo o inicio de atividades que deveriam ter cido iniciadas, pois muitas vezes as precedências do cronograma refletem um plano de ataque que já foi superado antes mesmo da atualização do cronograma.

Imaginar um projeto como sendo uma baseline a ser seguida, ou até mesmo criar complicados níveis de aprovação para a modificação de uma baseline, conforme sugere o PMBoK, é seguramente o primeiro passo para o fracasso,  pois o objetivo principal de um projeto não é seguir uma baseline determinada inicialmente e sim terminar o projeto no prazo, custo e escopo definido.  As diversas maneiras de fazê-lo cabe ser engenhada por quem esta no meio da piramide hierárquica (média gerência).

Hoje infelizmente não temos ferramentas computacionais que “pensam” o projeto como infinitas possibilidades de se chegar ao mesmo lugar, alterando de maneira pré-determinada a sequencia executiva ou a alocação de recursos, e sinceramente não vejo a possibilidade de termos uma ferramente com esta capacidade em pouco tempo, o que torna importante, e quase indispensável, a presença de profissionais seniors na condução e “correção do curso” dos projetos.

O que precedências tem haver com Lean ?

Depois de muito caminhar pela filosofia Lean, caso me pedissem hoje para definir a Lean Construction, eu daria aseguinte explicação: “Lean construction é a filosofia que nos leva a pensar a obra em uma sequencia ininterrupta de geração de valor pelas equipes de produção , e desta maneira facilitar a redução ou eliminação da perda de valor nas atividades”.

Ou seja, isto é nada mais e nada menos do que levar fortemente em consideração as precedências de recursos e maximizar a geração de valor através deste sequenciamento.

Filosofando Um Pouco

A meu ver, toda precedência é uma restrição para a execução de um projeto, e como restrição devemos primeiramente tentar elimina-la, antes de aceitarmos sua existência.

Em um projeto sem precedências, ou melhor com as precedências tendendo a zero, a duração total deste projeto também tenderia a zero e a quantidade de recursos tenderia ao infinito. Para o entendimento desta tendência, é necessário extrapolar a idéia de pacote de trabalho imaginando que dentro do proprio pacote de trabalho, ou atividade, existem precedências fisicas, de recurso e lógicas.

Devido ao alto custo e muitas vezes a impossibilidade da eliminação das precedências físicas, nos resta somente a possiblidade de estudar uma maneira de equilibrar a questão de sequenciamento lógico e disponibilidade para investir em recursos e acelerar a entrega do projeto, fazendo o “fast-track”, conforme é definido pelo PMBoK.

Pretendo continuar este assunto em outros posts e agredeço as observações nos comentários.

Eng. Luiz Junqueira – luizjunqueira@terra.com.br

Engenheiro civil formado pela UNESP, especialista em Engenharia de Produção pela USP e Gerenciamento de Projetos pelo ITA.


Linha de Balanço – O que é ?

4 setembro, 2008

No planejamento de longo prazo, o horizonte dos planos abrange todo o período de construção e tem como objetivo a definição dos ritmos das atividades, que constituem as grandes etapas construtivas do empreendimento como, por exemplo, a estrutura, a alvenaria e as instalações hidrossanitárias (MENDES JR e HEINECK, 1998). Em função do fluxo de recursos financeiros, desenvolvidos no estudo de viabilidade e da estimativa de custo, são dadas instruções para a coordenação destas atividades (TOMMELEIN e BALLARD, 1997).

Outra importante decisão, relacionada a esse nível de planejamento, trata da definição da estratégia de ataque à obra. Através deste estudo é estabelecido o seqüenciamento das atividades, eliminando-se possíveis interferências entre equipes propiciando a melhoria dos fluxos de materiais e mão-de-obra dentro do canteiro.

A elaboração dos planos é realizada a partir do uso de técnicas de programação, como a Linha de Balanço, no qual são especificadas informações a respeito do início e fim das atividades, bem como a duração máxima necessária para a execução do empreendimento (TOMMELEIN e BALLARD, 1997; MENDES JR. E HEINECK, 1998).

A técnica da Linha de Balanço (Line of Balance – LOB) para programação de tarefas foi criada pela Goodyear nos anos 40. Suas primeiras aplicações foram na indústria de manufaturados para programar o fluxo de produção. O Método da LOB é um dos métodos mais conhecidos entre os pesquisadores para a programação de projetos lineares.

Seu uso na construção civil se difundiu mais na Europa em obras com serviços bastante repetitivos, como estradas e pontes. Recentemente vários pesquisadores vêm procurando diversas formas de difundir o uso da Linha de Balanço nos EUA e outros países, em conjuntos habitacionais e edifícios altos, estudando os seus conceitos juntamente com outras técnicas matemáticas ou computacionais, como simulação, e sistemas baseado no conhecimento.

A técnica da Linha de Balanço se resume ao conceito de que as tarefas são repetidas inúmeras vezes ao

Exemplo de Linha de Balanço

Exemplo de Linhas de Balanço

longo de uma unidade de repetição. Por exemplo, o serviço de revestimento de paredes é realizado inúmeras vezes ao longo de todas as unidades de um conjunto habitacional ou pavimentos de um edifício. O ritmo de conclusão da tarefa nas diversas unidades dependerá de quantas equipes sejam alocadas. A técnica é de aplicação bastante simples principalmente por que pode ser feita graficamente, se assumirmos a linearidade do desenvolvimento da tarefa, podendo ser visualizada num gráfico espaço x tempo, indicando a unidade e quando a tarefa é executada nesta unidade

A Linha de Balanço é uma técnica de planejamento e controle que considera o caráter repetitivo das atividades de uma edificação. Por meio da Linha de Balanço o engenheiro da obra passará a ter uma visão mais simples da execução das atividades servindo como ferramenta de apoio na melhoria da produtividade e qualidade nos canteiros. E poderá dispor de uma técnica eminentemente gráfica (visual) que será um valioso aliado nas suas comunicações em obra.

Linha de Balanço - UHE LA VUELTOSA - Monolitos

Linha de Balanço - UHE LA VUELTOSA - Monolitos

A LOB é derivada do gráfico de barras (Gantt), onde ao invés de colocarmos as atividades ou fases da obra no eixo vertical, colocamos, por exemplo, os pavimentos ou as repetições do mesmo serviço. Assim cada barra continua representando uma atividade ou fase da obra, obtendo-se um conjunto de curvas de produção mostradas num plano cartesiano com unidades de repetição (cômodos, apartamentos, pavimentos, fachadas, etc.) e durações (semanas) definindo-se ritmos de trabalho (iguais ou diferentes) que promovam linhas balanceadas, inclinadas, representando o seu ritmo de avanço.

Dessa forma a Linha de Balanço pode indicar o sequênciamento da atividade pelas diversas unidades de repetição da obra (pavimentos, apartamentos, casas unifamiliares, quilômetros de estrada, metros de canalização, etc.).

O balanceamento das linhas pode ser obtido através de: eliminação de conflitos entre equipes pela mudança da precedência de uma atividade ou pela mudança de ritmo (número de operários executando a tarefa basicamente é o que indica o ritmo); eliminação dos gargalos na obra – tarefas que são executadas com ritmo lento atrapalhando as demais; definição de estratégias de execução que permitam o espalhamento das atividades pela obra diminuindo o tempo de ocupação ou de entrega de uma unidade, entre outras decisões gerenciais que a Linha de Balanço pode apoiar de uma forma mais efetiva do que outras técnicas de planejamento e controle.

Através da adoção do conceito da Linha de Balanço as atividades seguirão ritmos de produção definidos. Nesta situação diz-se que a produção está balanceada.

Este balanceamento permite definir quantas unidades (cômodos, apartamentos ou pavimentos) estarão concluídas num determinado tempo, permitindo: estudo de reaproveitamento de equipes, melhor programação das equipes, evitar interrupções do trabalho de uma equipe melhorando sua produtividade, minimização dos estoques e produtos em processo, melhores possibilidades de implantação do trabalho em grupo (células de produção), pacotização do trabalho com melhor definição de tarefas, e uma gerência facilitada – visual, entre os benefícios mais importantes.

Resumindo, a Linha de Balanço permite atender às necessidades de programação de uma obra tradicional, a melhoria da produtividade na forma clássica (taylorista – repetição e volume de trabalho) ou o apoio à gestão moderna da produtividade e qualidade. A sua estratégia de produção, atendendo aos objetivos da empresa, é que irá determinar quais os benefícios mais importantes e qual a ênfase a ser dada na aplicação da Linha de Balanço.

Todos os principais componentes necessários à programação de obra são identificados na Linha de Balanço:
- O quê (qual atividade, qual pacote de trabalho) deve ser feito;
- Quem deve fazer (qual ou quais equipes);
- Onde fazer (qual cômodo, apartamento, pavimento ou fachada);
- Quando fazer (qual semana).

→ Dissertações sobre Linha de Balanço:

Texto retirado de:

LUIZ EDUARDO LOLLATO JUNQUEIRA - Aplicação da Lean Construction para Redução dos Custos de Produção da Casa 1.0®. São Paulo, 2006. 146p. Escola Politécnica da USP.

- Demais textos sobre o assuntos:

ADRIANO OLIVEIRA MATOSEstudo do Planejamento em Linha de Balanço de uma Obra em Paredes-Painéis com Aplicações de Princípios da Construção Enxuta. UFBA, 2006.
RICARDO MENDES JUNIORProgramação da Produção na Construção de Edifícios de Múltiplos Pavimentos. UFSC, 2001

Embasamento Conceitual – Lean Construction

1 setembro, 2008

A natureza da competição do século XXI será caracterizada pela presença de empresas enxutas, com grande eficácia e eficiência na geração de valores agregados aos produtos ou serviços por elas produzidos. O conceito de cliente será expandido, cobrindo, além de seus consumidores, a comunidade em que a empresa se insere e os colaboradores participantes de seu processo produtivo. As empresas vencedoras no futuro serão aquelas que tiverem mais agilidade em perceber a importância do enobrecimento de atividades humanas, visando a sustentação prática dessa situação.

Nesse cenário, as organizações deverão desenvolver novos modelos de gestão, em que mudanças de ambiente no decorrer dos processos sejam rapidamente assimiladas e as eventuais interferências nos resultados planejados sejam minimizadas através da otimização do processo decisório, fruto imediato da redução da incerteza e variabilidade.

A pressão crescente sofrida por estas empresas, traduzidas através da necessidade de se obter melhores desempenhos em menores tempos, sob condições de incerteza e sem implicar em sacrifício da qualidade, dos custos e da conformidade em relação às necessidades dos clientes, tem sido o grande desafio gerencial dos últimos anos.

É comum nos depararmos com estudos que espelham os níveis de desperdícios globais obtidos em diversas atividades analisadas, sendo que, na maioria das vezes, é despendida maior energia para justificar os números alcançados do que para buscar soluções viáveis para prevenir a incidência de tão importante problema.

É preciso mudar o paradigma atual de gestão de negócios, onde o sucesso é alcançado na medida em que a empresa vai bem se o cliente recebe o produto ou serviço desejado e o seu fluxo de caixa está positivo. Atualmente, a vantagem competitiva de cada empresa surge com maior intensidade não somente na definição do preço de venda ou forma de pagamento do serviço executada, mas também, na habilidade para gerenciar o dia-a-dia do negócio tendo em vista a garantia do desempenho operacional planejado face aos diversos imprevistos ocorridos.

Assim, cada empresa terá maior sucesso na medida em que utilizar todo o seu conhecimento acumulado na busca das melhores soluções, a cada instante de suas operações. Em outras palavras, o processo crítico não é a tecnologia de execução aplicada, mas o modelo de gestão utilizado para que se alcancem os resultados esperados.

Podemos definir como uma nova abordagem para modelos de gestão organizacionais aqueles que tem como fundamento considerar simultaneamente os seguintes aspectos da produção:

- conversão caracterizado pelo processamento de insumos com o objetivo de se alcançar o produto final esperado;

- fluxos definidos pela logística de insumos e informações durante a execução de cada trabalho;

- valor agregado caracterizado pelo esforço sistemático em agregar valor ao produto entregue, sem que isso implique no aumento do respectivo custo de produção.

Nesse modelo, a produção é entendida como uma série de processos e fluxos voltados para a conversão de materiais, equipamentos e de mão-de-obra em produtos ou serviços acabados. Cada processo principal é subdividido em processos menores, os quais são também caracterizados por conversões e fluxos.

Analisando-se os modelos tradicionais de gestão através dessa nova abordagem, percebe-se que o mesmo ignora o fluxo dos insumos e informações para que as atividades a serem executadas tenham seu ritmo e desempenho ocorrendo conforme o planejado. Se levarmos em consideração o fato de que atividades características de fluxos de insumos (movimentar, esperar, inspecionar) geralmente não agregam valor ao produto final, e sim agregam custos, uma eventual análise a respeito da redução das perdas no processo e as maneiras para que a mesma possa ser viabilizada fica incompleta neste modelo.

Um outro problema associado aos modelos tradicionais de gestão é o fato de que o mesmo não leva em consideração a interdependência de resultados entre as atividades previstas. Como, por exemplo, o impacto do retrabalho e variabilidade de resultados nas atividades sucessoras de um determinado evento.

As empresas normalmente utilizam esse modelo focando o controle em atividades isoladas, perdendo muitas vezes o foco no impacto que a mesma tem no empreendimento como um todo. Assim, do ponto de vista gerencial, essas empresas acabam por gerar mais atividades de controle, que por sua vez aumentam ainda mais o conjunto de atividades que não agregam valor ao produto final.

A nova abordagem conceitual para modelos de gestão acima apresentada permite uma condução do cotidiano voltada para a redução de custos e para a redução das perdas e desperdícios, em um ambiente baseado na melhoria contínua e na otimização da flexibilidade, quer seja analisada pela característica intrínseca do produto produzido ou mesmo pela agilidade na percepção das mudanças das variáveis de gestão ao longo do processo produtivo. Nesse modelo, atividades que agregam valor devem ser analisadas e otimizadas, buscando a redução de suas perdas, enquanto que atividades que não agregam valor devem, na medida do possível, serem eliminadas.

Enquanto as conseqüências mais imediatas de sua aplicação podem ser resumidas através da redução sistemática das perdas e desperdícios, da redução dos custos operacionais e da busca do comprometimento e capacitação das equipes de trabalho, espera-se que as organizações que utilizem o mesmo otimizem sua capacidade gerencial a médio prazo, diminuindo as incertezas ligadas aos processos de tomada de decisão em todos os níveis hierárquicos envolvidos. Administrando seus negócios de maneira interativa, a empresa “aprende” a cada etapa do trabalho executado e passa a utilizar essa nova cultura interna gerada como vantagem competitiva em seu mercado de atuação.

Os princípios que regem esse novo modelo de gestão podem ser definidos por:

- Melhorar a eficiência das atividades geradoras de valor;

- Reduzir a importância das atividades que não geram valor;

- Aumentar o valor agregado, através da percepção das necessidades do cliente;

- Redução do desperdício;

- Redução das perdas de valor nos processos;

- Otimização da capacidade de gestão das operações;

- Redução da variabilidade;

- Compressão de prazos, redução de tempos de ciclo;

- Simplificação de processos;

- Melhorar a flexibilidade dos processos.

No que diz respeito aos aspectos da organização do trabalho, as abordagens tradicionais para gestão de negócios tendem a assumir que, se cada elemento for entendido, o empreendimento como um todo pode ser controlado. Entretanto, a experiência sugere que a inter-relação entre componentes é mais complexa do que aquela assumida pelas técnicas de gestão tradicionais. É preciso uma nova abordagem, onde os esforços são dirigidos para as inter-relações causadoras de atrasos e excessos de custo.

As pessoas envolvidas com a gestão dos processos devem estar preparadas para essa nova realidade. As empresas, por sua vez, devem redefinir seus desenhos organizacionais contemplando o fato de que a qualidade do trabalho executado e a redução das perdas e desperdícios ocorrem em função das decisões tomadas pelas pessoas que executam as tarefas a cada instante. A interação entre as pessoas gera sinergia. E a sinergia gerada implica em um aumento do valor das partes componentes de um sistema, viabilizando uma situação onde as partes conseguem fazer juntas o que não podem fazer sozinhas.

Eng. Luiz Junqueira – luizjunqueira@terra.com.br
Engenheiro civil formado pela UNESP, especialista em Engenharia de Produção pela USP e Gerenciamento de Projetos pelo ITA.


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