Mais do que manejar um programa, planejadores precisam dominar os fundamentos teóricos do método do caminho crítico
Por Aldo Dórea Mattos

Exemplo de rede CPM
Mesmo depois de mais de 50 anos de sua criação, o método do caminho crítico se reafirma como a técnica mais sólida para o desenvolvimento de cronogramas e renova sua pujança no mundo corporativo ao aliar ciência e prática na obtenção de uma base gerencial sólida para o controle do tempo e dos custos. Esse método e seus nomes mais famosos, Pert (Program Evaluation and Review Technique) e CPM (Critical Path Method) experimentaram uma fantástica evolução em âmbito de utilização, velocidade de processamento e, mais notavelmente, em acessibilidade para o grande público. Hoje, com a ampla difusão dos programas de planejamento, ao se inserir uma atividade num cronograma ou se atribuir a ela uma duração, está-se na verdade acionando os pressupostos da referida técnica.
Sua onipresença se manifesta em todas as áreas produtivas – na engenharia, na indústria, no entretenimento, na tecnologia da informação etc. Onde houver gerenciamento de projeto, invariavelmente lá estará o caminho crítico. Essa forte difusão, no entanto, carrega consigo alguns efeitos nocivos.
Até os anos 80, planejamento era assunto para poucos. A pesada carga de computação e o alto custo dos equipamentos impunham uma forçosa especialização, cujas vantagens eram notáveis: só entrava no setor quem entendia do assunto e passava por sério processo de treinamento. Errar era caro, e por isso fazer certo era a preocupação primeira.
Com o barateamento e a popularização dos softwares comerciais, houve uma nítida mudança de paradigma. De certa forma, todos que ganharam acesso a um programa tornaram-se “planejadores”. A facilidade de entrar com dados e receber um cronograma impresso logo em seguida fez eclodir um boom de planejadores em todos os setores produtivos. Como se pode constatar, os resultados foram notórios avanços convivendo lado a lado com graves distorções. Se, por um lado, proliferou-se a exigência de planejamento e cronogramas, e facilitou-se a comunicação entre as partes em cima de algo palpável e rapidamente transmissível entre os setores, por outro lado fez o foco migrar do fim para o meio. A tendência parece ser mais enfocar os processos computacionais e conseguir um cronograma que tenha a “aparência de correto”, do que analisar o projeto em suas partes integrantes para determinar a duração mais adequada de cada uma das atividades, a lógica mais pertinente com a metodologia executiva, e a alocação racional de recursos. Como decorrência direta dessa perda de capacitação, a importância do planejamento decaiu na maioria das organizações e a maior parte dos projetos se atrasa. Parece paradoxal, mas não é.
Militando no meio da construção, temos visto um inchaço nos anúncios de cargos para os quais são exigidos “conhecimentos plenos de Primavera [software]” sem que sejam explicitamente cobrados “conhecimentos plenos de planejamento”, como se o primeiro conjunto de requisitos necessariamente englobasse o segundo conjunto. Não é bem assim. Dominar bem o serrote não quer dizer dominar carpintaria.
Escrito por Luiz Junqueira 
Grandes projetos falham com uma freqüência altíssima. Em geral trazem retornos decepcionantes, sendo que alguns estudos mostram atrasos de mais de 50% nos prazos. O preço pago por estes baixos retornos não são apenas prejuízos financeiros.
Gestão de qualidade, lean construction, NR-18, produtividade, código do consumidor, globalização, bench-marking, ISO 9000. Essa lista de paradigmas de ações e informações persegue os empresários da construção civil nos últimos três anos. Tudo isso surgiu a partir da necessidade de atualizar os métodos de gestão que a época nos impõe. Competitividade, dificuldade de vendas, atualizações tecnológicas, enfim, a modernização do processo de construir, administrar e até de vender. Esse cenário de simultaneidade de ações faz com que os empresários e profissionais ligados à construção civil tenham uma sobrecarga muito grande entre o ato de pensar e o de colocar em prática tudo aquilo que, ávido, o mercado solicita.
Por tudo isso, arrisco citar o segmento da construção civil como o de maior velocidade em mudanças entre os existentes no mercado, deixando de ser, aos poucos, apontado como um setor associado ao desperdício e ao despreparo dos trabalhadores. Em breve, a construção aparecerá como um segmento dotado de tecnologia de ponta, preocupado em alfabetizar e treinar os trabalhadores. Assim, em curto espaço de tempo, ostentaremos, com orgulho e merecimento, a denominação de Indústria da Construção Civil.


Encurtar prazos de execução já não é uma novidade na construção civil brasileira. Em geral, a redução – ou dilatação – do cronograma costuma atender à disponibilidade de caixa do cliente. No caso da recém-construída lanchonete da rede McDonald’s na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, a determinante foi outra. Na obra de 328 m², a construtora paulistana Verticon conseguiu reduzir o prazo – de 90 para 80 dias – ao aplicar conceitos de racionalização, no caso, a lean construction – ou “construção enxuta”. O novo prédio, com 150 lugares, integra uma rede de 340 pontos de venda no Brasil, número que deve subir para 700 até o ano 2000. A escala de produção e a padronização dos projetos são dois fatores importantes para a adoção da lean construction, assim como o cultivo de poucas e constantes parcerias. A Verticon, por exemplo, está produzindo 25% dos novos pontos do McDonald’s, volume de obras em carteira que coincide com o de outras construtoras com as quais a rede americana trabalha.
A obra da Barra seguiu o mesmo padrão construtivo de outras lojas. As fundações empregam estacas pré-moldadas e a estrutura associa alvenaria convencional e estrutural, além de laje de concreto moldada in loco. O mezanino técnico, que acomoda equipamentos de ar-condicionado, exaustores, ventiladores e caixa-d’água, tem estrutura de concreto. Estrutura metálica e telha tipo sanduíche constituem a cobertura, que recebe ainda acabamento de telhas plásticas, usadas também para formação do beiral.
O planejamento inclui plano diretor de toda a obra (longo prazo), e também estudos de médio e curto prazo, focando as metas da equipe e programações diárias por pavimento. Engloba, também, o planejamento de contratações de mão-de-obra e de custos e orçamento. Com tudo isso equacionado e amarrado, as probabilidades de ocorrerem erros, retrabalhos, desperdícios e atrasos ficam reduzidas.


